|
O
ontem (muito antigamente) e o hoje na Literatura Infantil
Marilu
Garcia do Amaral
Os contos de fadas, as lendas
e tradições folclóricas deste mundo afora
estão, de fato, fora de moda? As crianças não
têm mais interesse por esta literatura?
Quando
este tema me foi sugerido, confesso que fiquei um pouco preocupada,
pois se levarmos em conta que a Literatura Infantil foi reconhecida,
como gênero literário, por volta do século
XVII, e que de lá para cá muita história
foi contada, seria necessário de um estudo muito aprofundado
a respeito. Mas, por coincidência ou não, tive
acesso a vários textos sobre o tema. Parte foi pesquisa,
outros vieram parar na minha mão.
Mas,
uma coisa é certa, não da para deixar de lado
livros como: As mil e uma Noites, os contos dos Irmãos
Grimm, Andersen, Hans Christian, mais pertinho de nós:
Monteiro Lobato, Machado de Assis, entre tantos outros que
hoje conhecemos como Clássicos. É necessário
que você envolva seu filho nesta magia, que venceu várias
gerações e que está presente em reedições
maravilhosas. A Revista Nova Escola, por exemplo, em sua edição
de junho/07, traz uma matéria muito completa com o
tema: ‘Histórias que despertam emoções’,
com dicas do que há de melhor na literatura clássica.
Não fica dúvida,
também, que o cinema atual tem ‘subvertido’
um pouco ou muito estes clássicos, com história
‘moderninhas’. Se colocarmos, apenas, como exemplo
dois sucessos atuais de bilheteria: ‘Shrek’ e
“Deu a louca no Chapeuzinho”, isso fica evidente.
Se você acompanhou seu ‘filhote’ nestas
incursões é impossível que não
tenha dado boas risadas com a nova roupagem do Gato de Botas,
em ‘Shrek’, onde os mocinhos não têm
nada de bonitinhos, o príncipe da história é
um chato, sem contar que a ‘fada madrinha’ é
algo... Com relação as novas incursões
da Chapeuzinho, o desenho é hilário. Com não
deixar que está subversão interaja com seu filho?
Cabe sim, aos pais e aos professores
discutirem com os pequenos leitores estas novas versões.
Esclarecer que existiu uma história inicial e que ela
é contada há séculos. O que houve foi
uma adaptação à realidade atual, afinal
diz um dito popular: ‘quem conta um conto, aumenta um
ponto.’
Estas novas 'roupagens literárias’
que encontramos no cinema, em reedições literárias
e nos novos autores têm uma preocupação
maior em levar à criança uma leitura que traga
assuntos que debatam a realidade na qual ela vive. Aqui, cabe
um destaque para os livros que mostram o respeito pela história,
pelas diferenças, perdas, meio ambiente e temas bem
contemporâneos, como os livros que discutem as novas
composições familiares, por exemplo, que hoje
formam um verdadeiro mosaico de irmãos e de pais de
diferentes famílias. Isso não seria abordado
há séculos, mas hoje é o dia-a-dia delas
e os livros que trazem estas questões, de forma graciosa
e engraçada fazem o maior sucesso no meio da meninada.
Se depois de ler esta Coluna
você continuar em dúvida sobre o que escolher:
os clássicos ou temas atuais, para ingressar seu filhote
no mundo da literatura, nada de mais, você é
normal. O que precisamos é sentir junto a criança
o que mais a está interessando no momento, o que tem
chamando a atenção dela. Não podemos
esquecer que em alguns momentos de nossa vida deixamos alguns
livros de lado, porque ele não nos agradou naquele
momento, as vezes voltamos para ele outras vezes não.
E isso irá acontecer também com os iniciantes
de qualquer idade. O prazer pela leitura é que a torna
parte de nossa vida.
Ainda
sobre o tema e boas dicas: http://orbita.starmedia.com/~stargate2/infantil.htm
da ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações
Ltda.; o texto excelente de Rosa Maria Cuba Riche (URRJ):
http://www.filologia.org.br/viiicnlf/anais/caderno11-10.html,
com o título: Literatura Infantil e Juvenil Brasileira
– os caminhos da produção e o resgata
da memória; e o texto de James Poniewozik, (Time),
traduzido na edição de 23/05/07 da revista Istoé.
|